O Quadrante Norte: O Despertar no Gelo
O despertar foi brutal. Emmi Khomalain abriu os olhos e deparou-se com o teto metálico de um contêiner industrial. O ar era denso, carregado com o hálito de outras cinco pessoas que, assim como ela, emergiam de um sono químico. No centro da parede frontal, uma tela de LED ganhou vida, banhando o ambiente com uma luz azulada e estéril. Uma voz gerada por inteligência artificial, desprovida de qualquer rastro de empatia humana, preencheu o cubículo:
— Saudações, competidores. Vocês são os pioneiros de uma era de entretenimento e sobrevivência. O prêmio: meio bilhão em suas moedas locais. As regras são simples, mas a execução será absoluta.
Emmi sentiu um nó no estômago enquanto a IA explicava o mapa da ilha. Grupos de seis seriam lançados nos quatro pontos cardeais. O Norte enfrentaria as cordilheiras geladas; o Sul, os pântanos fétidos; o Leste, as ruínas industriais e o deserto; e o Oeste, o labirinto de cidades caóticas. O objetivo? Uma caminhada de duzentos quilômetros até o centro da ilha. A primeira equipe a abrir a maleta central levaria a fortuna.
— O objetivo é simples: percorram 200 quilômetros até o centro da ilha. A primeira equipe a abrir a maleta central vence. Atrás de vocês, estão seus equipamentos de sobrevivência. Vistam-se. O jogo não espera.
A tela apagou. No fundo do contêiner, nichos se abriram revelando mochilas e uniformes idênticos: camisas regatas brancas, blusas térmicas pretas e calças militares resistentes, acompanhadas de pesadas botas de couro. Um item, porém, chamou a atenção: um colar metálico e fino. Ao colocá-lo, Emmi ouviu um estalo suave. Era a tecnologia de tradução simultânea, uma maravilha moderna que transformava o babel de vozes em uma língua comum.
Buscando quebrar o silêncio tenso, Emmi levantou-se enquanto apertava os atacadores da bota.
— Se vamos depender uns dos outros, precisamos de nomes. Sou Emmi Khomalain, 24 anos. Finlândia.
A resposta veio em ondas. Yuki Tanaka, uma japonesa de 26 anos com olhar decidido, apresentou-se em seguida. Logo depois, Lars Sorenson, um norueguês de 42 anos que parecia um "carvalho humano", impôs respeito com seus ombros largos e mãos marcadas por antigas queimaduras de frio. Ao lado dele, o jovem Sami Al-Fayed, de 21 anos, tremia visivelmente: "Estou começando a me arrepender disso", confessou com a voz embargada.
Klaus Meyer, um alemão de 58 anos, já estava ofegante antes mesmo de começar, seu rosto avermelhado denunciando a falta de preparo físico. Por fim, em um canto escuro, um homem com olhar felino e uma bússola antiga tatuada no pescoço quebrou o silêncio:
— Aleksei Volkov. 35 anos. Russo - Respondeu o homem, a voz seca como uma lâmina.
O som metálico de engrenagens girando ecoou pelo contêiner. A porta começou a descer lentamente, revelando o destino que a sorte lhes reservara. O primeiro contato não foi visual, mas tátil: um ar gélido e cortante invadiu o cubículo, carregando partículas de gelo.
Eles estavam no Quadrante Norte. As Montanhas Congeladas.
Lá fora, o mundo era um deserto branco e infinito de picos afiados e abismos ocultos. Antes que a porta se fechasse definitivamente atrás deles, o sistema de som disparou um último aviso: novos suprimentos seriam espalhados pelo caminho, mas a primeira etapa seria um teste de resistência pura.
— Vamos — Yuki tomou a dianteira, as botas afundando na neve fresca. — Temos uma competição a vencer e meio bilhão de motivos para não morrermos aqui.
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