O Quadrante Oeste: Labirinto de Concreto




Li Liang permanecia estático, como uma estátua de jade em meio ao caos. Fazia quinze minutos que a porta do contêiner se abrira, revelando o Setor Oeste: um cemitério de arranha-céus, onde o esqueleto de uma metrópole outrora grandiosa se retorcia contra o céu cinzento. Li não tinha pressa; seus olhos treinados varriam as ruínas em busca de padrões, armadilhas ou sombras que se movessem onde não deveriam.

— E então, chinezinho? — A voz de Jack Miller rompeu o silêncio como um trovão. O inglês de rosto rude e dentes tortos deu um passo pesado, fazendo o entulho estalar sob suas botas gigantescas. — Por onde vamos começar? O prêmio não vai sair do chão sozinho.

Li Liang desviou o olhar para o operário, a expressão imperturbável. — Você precisa de calma, Jack. Eles não nos lançaram aqui por acaso. Cada bloco de concreto caído pode esconder uma armadilha. A pressa é o caminho mais curto para o erro.

— Ele tem razão — interveio Elena Popescu, uma romena de baixa estatura, mas com uma flexibilidade que lembrava uma serpente. Seus cabelos estavam presos em uma trança única e suas mãos, calejadas por anos de barras e cabos, apertavam as alças da mochila com intensidade. — Não podemos ficar expostos neste descampado por muito tempo. Vamos nos mover.

O grupo começou a se embrenhar nos destroços. Logo atrás, Kenji Sato, o jovem japonês de 20 anos, caminhava com os fones de ouvido pendurados no pescoço. Sua palidez cadavérica e os tiques nervosos nas mãos denunciavam uma vida inteira confinada diante de telas, agora substituídas pela realidade brutal dos escombros. Ao seu lado, a argentina Sofia Hernandez, com seus lábios finos e olhar astuto, tentava manter uma autoridade deslocada em suas roupas sociais adaptadas para o jogo.

— Que cidade era esta? — Kenji perguntou, a voz trêmula. — Onde diabos estamos?

— A guerra apagou muitos nomes do mapa, garoto — respondeu Sofia, analisando a arquitetura com ceticismo. — Pela disposição das avenidas, eu diria Armênia... mas nada aqui faz sentido.

— Se estivéssemos no Norte da África, eu reconheceria o traçado — acrescentou a marroquina Fátima Zahra, cujos olhos grandes e determinados brilhavam sob um véu esportivo prático. Ela caminhava com uma firmeza que parecia ancorar o restante do grupo. — Mas este ar... este cheiro de poeira antiga não pertence ao meu deserto.

Li Liang, que liderava a fila com passos silenciosos, apontou para o arco de uma construção em estilo neoclássico, parcialmente desmoronado. — Minha intuição diz Europa. Talvez Romênia ou Hungria. O formato desses ornamentos de pedra é típico daquela região.

— Será que é Bucareste? — Kenji indagou, esperançoso por um nome familiar.

— Jamais. — Elena foi categórica, a voz carregada de uma certeza sombria. — Eu vivi na Romênia por décadas. Posso garantir que não estamos no meu país. Estas ruínas são estrangeiras para mim.

Li Liang parou e consultou a bússola dourada. O ponteiro indicava o coração da selva de pedra, onde as sombras pareciam se adensar. — Não importa o nome que esta cidade ostentava no passado — sentenciou Li, voltando-se para a equipe. — O que importa é sairmos dela vivos e cruzarmos a distância até a ilha. Mantenham o foco. O jogo já começou.

Todos se entreolharam, o peso daquelas palavras caindo sobre os ombros. Em silêncio, o grupo de Li Liang mergulhou na garganta das ruínas urbanas, seguindo a direção magnética que prometia fortuna ou morte.

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